
Ganhei de Natal o famoso livro bíblia da gastronomia de Brillat-Savarin – A fisiologia do Gosto. Ele é bem curioso, também, um livro de gastronomia escrito por um sobrevivente da Revolução Francesa, advogado, político e gourmet que viveu entre o século XVIII XIX não podia ser diferente.
Estou apenas começando o livro, mas já estou apaixonada pelo romantismo com que ele trata a gastronomia e ao mesmo tempo a forma radical dele se referir àqueles que não apreciam a boa culinária assim como àqueles que não sabem “receber bem seus convidados”. Através de uma escrita bem rebuscada para quem está acostumada a ler os livrinhos escritos por publicitários sem base teórica nenhuma, Brillat fala dos cinco sentidos, do paladar, da degustação e de muitas outras coisas relacionadas a gastronomomia sem ficar cansativo nem chato – só encurtaria um pouco o prefácio.
Coincidentemente, consegui comprar hoje a 2a e a 3a edição da revista “A ciência na Cozinha”, e numa delas a matéria que abre a revista faz uma comparação com a Fisiologia do Gosto de Brillat-Savarin e a Fisiologia moderna. Bem, darei os créditos a meu caro amigo do século XVIII que em seu livro escreve alegando ter suas próprias teorias a respeito da gosto, em si, porém, diz ele, não seria capaz de revelá-las devido à falta de estudos científicos. Ele dá uma breve pincelada e deixa escapar o que justamente a matéria na revista aborda:o paladar não é o único sentido do gosto. Agora temos sim embasamento científico!
Ah, se o Brillat estive vivo! Deixo aqui minhas homenagens a esse grande gourmet que foi, sem dúvidas, o primeiro estudioso da gastronomia e a sugestão longa mais gostosa do seu livro.
A fisiologia do Gosto | Jean Anthelme Brillat-Savarin | Ed. Companhia das letras | R$ 52 (aprox.)